Empresária diz que Barcarena precisa de emprego para a população local

Cláudia Fiúza está na cidade há 17 anos e cansou ver gente de fora ocupando os postos de trabalho do município

Por Planeta Pará em 03/05/2020 às 17:22:06

Na data em que se comemora o Dia Internacional do Trabalho, neste 1? de maio, a empresária Cláudia Fiúza, destacada representante do setor de hotelaria em Barcarena, no nordeste paraense, diz que é urgente o poder público começar a gerar postos de trabalho para a população local.

Natural de Brasília, Cláudia Fiúza chegou a Barcarena há cerca de 17 anos, onde fez carreira empresarial. Conhecida como "Cláudia do Pioneiro" a empresária abriu o Hotel Pioneiro em 2015, e, desde lá, vem se dedicando ao ramo.

O nicho do hotel de Cláudia é, principalmente, de hospedagem para funcionários de empresas que prestam serviços em Vila dos Cabanos. "Foi através do hotel que eu descobri que nós estávamos sendo enganados", explica Cláudia.

Segundo ela, os profissionais que trabalham na indústria são, principalmente, de fora da cidade. "Percebi que os empregos não são direcionados para o nosso povo e, sim, para quem vem de fora. Temos muita carência de mão de obra qualificada e isso contribui para esse cenário", ressalta.

Ela diz que o próprio hotel tem mais de 600 currículos arquivados, os quais não são aproveitados por falta de competitividade. "O povo não é preparado para o mercado de trabalho. Temos um problema estrutural. Os nossos jovens, quando conseguem terminar o Ensino Médio, têm menos oportunidades ainda de capacitação", analisa.



Com população estimada em 124.680 pessoas, de acordo com o IBGE, Barcarena possui o maior porto do Pará e é um dos pólos industriais do Estado. Também segundo o IBGE, 46,4% da população vivem com apenas meio salário mínimo por mês, ou menos. O salário médio mensal dos trabalhadores formais é de três salários mínimos.

Segundo a empresária, mesmo antes do avanço da pandemia do Coronavírus, que está afetando a economia no mundo inteiro, Barcarena já contava com milhares de pessoas vivendo em situação sub-humana, abaixo da linha da pobreza. Essas pessoas engrossam as estatísticas do subemprego e, naturalmente, do desemprego também.

"Tal situação se agravou ainda mais com a quarentena, já que as famílias que precisavam sair todos os dias às ruas para garantir o pão de cada dia, agora já não podem fazê-lo. Então, penso que já está mais do que na hora do município cumprir com a sua obrigação e o seu devido papel", ressalta.

Para Cláudia, as autoridades municipais precisam assumir a responsabilidade de dar condições de vida às pessoas mais afetadas, não só no campo da saúde, mas, também, no aspecto econômico. E, para isso, a utilização dos recursos de contingência disponíveis nos cofres públicos deve ser imediata.

Pré-candidatura – Diante desse cenário e da inoperância da atual gestão, Cláudia decidiu se lançar pré-candidata a prefeita. "Caí na besteira de solicitar a reforma de uma calçada no bairro Pioneiro e não tivemos sucesso. Isso me provocou e decidi eu mesma resolver o nosso problema. Desde então, comecei a me preparar para a candidatura", revela.

Para Cláudia Fiúza, filiada ao PSD, é hora de uma mulher ser prefeita de Barcarena. "Nós precisamos de pessoas que têm intenção de fazer um governo humano e voltado para o povo e não voltado para os seus", opina.

Casada e mãe de três filhos criados, Cláudia reforça que um dos seus principais desafios será a questão do desemprego local, já que a Lei municipal 2.186 determina que 80% das vagas de emprego abertas no polo industrial devam ser preenchidas por cidadãos barcarenenses, o que, na prática, não acontece.

"Quero, neste dia, homenagear todos os trabalhadores de Barcarena, em especial aqueles profissionais que estão na linha de frente do combate à Covid-19. Mas, não podemos deixar de ter esperança e fé de que, em um futuro muito próximo, abriremos oportunidades para esses milhares de pais e mães de familias que não têm emprego. Eu creio!", finaliza.

Fonte: Portal Belém

Comentários

Eventos e Cia